Discriminação contra o bancário negro ainda é grande

 

30/05/2011 - 13h03

Ainda há discriminação racial no setor bancário, afirmam debatedores 

A diversidade no mercado de trabalho do setor bancário foi o tema do debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realizado nesta segunda-feira (30). Os participantes da audiência pública afirmaram que a discriminação contra o bancário negro ainda é grande.

O debate foi focado no Mapa da Diversidade do Setor Bancário, elaborado em parceria pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e por outras entidades. O objetivo do estudo é promover a igualdade de oportunidades para todos os brasileiros, independente da cor, sexo, idade, tendo ou não qualquer tipo de deficiência

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Almir Aguiar, afirmou, na sua exposição, que os negros bancários recebem salários menores do que os colegas brancos, e que "a cor da pele é um impeditivo de ascensão na empresa".A partir de 1996, segundo ele, os movimentos organizados iniciaram uma série de negociações com a Febraban, com o objetivo de acabar com todo tipo dediscriminação nos bancos - não só contra negros, mas também contra mulheres e deficientes -e criar mais oportunidades para os negros no setor financeiro.

- Desde então, temos avançado, mas é necessário avançar muito mais - disse Almir Aguiar.

O diretor executivo da rede de Pré-Vestibulares Comunitários e Educação para Afrodescendentes e Carentes (Uducafro), Frei David Raimundo Santos, afirmou que os negros são apenas 19% dos contratados em instituições bancárias. Ele também comentou os resultados do Mapa da Diversidade, segundo o qual os funcionários negros recebem cerca de 64,2% do salário dos brancos e apenas 20,6% dos contratados conseguem ser promovidos.

- Os demais entram como contínuos e morrem como contínuos. A maneira como o negro vem sendo discriminado descaradamente é uma violência contra a nação - afirmou Frei David, que reclamou ainda da ausência da Febraban nos debates desta segunda.

Anhamona da Silva Brito, secretária de Políticas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), da Presidência da República, destacou a importância do Poder Legislativo no combate à discriminação em todos os níveis, por meio de audiências públicas como a realizada nesta segunda. O Mapa da Diversidade, segundo ela, serviu como ponto de partida para que no dia 28 de julho de 2010, a secretaria assinasse com a Febraban um protocolo de intenções para estabelecer políticas de igualdade dentro dos bancos. Mas pouco foi feito desde então, segundo relatou.

- A Febraban ficou de elaborar um plano sobre o protocolo em até 90 dias após a assinatura documento. Esse prazo venceu em 28 de outubro e ainda nada foi feito - disse a representante da Seppir.

Na opinião do diretor da Associação dos Advogados do Banco do Brasil (Asabb) e também ouvidor da Igualdade Racial, Humberto Adami, essa fase das intenções e dos protocolos já passou e com pouco resultado. Para ele, é preciso, neste momento, usar outras ferramentas no combate à discriminação.

- É necessário aumentar os órgãos de ouvidorias para que o cidadão possa fazer denúncias - sugeriu Adamo.

Febraban

Ao final da audiência, Paim leu ofício enviado pela Febraban, colocando-se à disposição para fortalecer "o processo de negociação".

Valéria Castanho / Agência Senado
 

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